POR JOSé BENEDITO DOS SANTOS
A redação do provedor Terra, em 24 de outubro último, citando o Diário do Grande ABC, informou que o padre Vanderlei Nunes, da Renovação Carismática Católica (RCC), foi nomeado exorcista oficial e único da região. O bispo que o nomeou advertiu: “a licença é concedida somente a presbítero que se distingue pela prudência e bom senso”. Exorcismo vem do latim, esclarece a fonte, e basicamente diz respeito a “oração ou cerimônia que livra pessoas de espíritos maus ou coisas nocivas”. Ressalta que, para o senso comum, exorcismo tem a ver com “arrancar o diabo de dentro do corpo de pessoas que tiveram o azar de incorporá-lo”.
Conforme exposto na parte inicial, em 1997 o Papa João Paulo II concedeu licença aos clérigos para que passassem a se posicionar diante do fenômeno da mediunidade. O padre Gino Concetti, porta-voz do Vaticano (jornal Osservatore Romano) disse: “Segundo o catecismo moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos que vivem na dimensão ultraterrestre enviar mensagens para nos guiar em certos momentos da vida. Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal, a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os falecidos, sob a condição de que elas sejam levadas com uma finalidade séria, religiosa e científica.” Outros trechos da entrevista estão no livro “Memórias de Padre Vítor”, psicografado por Ana Paula Cazetta.
Ao que parece, já podem ser contadas pelo menos três correntes religiosas às voltas com as coisas da mediunidade1: uma entre os evangélicos, que expulsam o “demônio” em seus cultos; os católicos da RCC; e os espíritas, estes desde 1857, em decorrência dos ensinamentos da então nascente Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, tendo O Livro dos Espíritos como ponto-de-partida.
É oportuno lembrar-se que os termos “Espiritismo” e “espírita” foram criados por Allan Kardec em 1857, e servem estritamente para designar os conceitos e os praticantes dos postulados da Doutrina Espírita. E que esta Doutrina atém-se estritamente na compreensão dos preceitos do Cristo Jesus deixados em seu Evangelho e nos esforços da prática constante do código da moral e ética cristã, em conformidade com orientações trazidas por espíritos superiores a respeito das sintéticas e maravilhosas parábolas e ensinamentos do Mestre. A mediunidade, para Kardec e outros de sua época, permitiu a compilação e a codificação das instruções dos espíritos, ou seja, da Doutrina Espírita. Seguir os passos do Nazareno é o ideal do espírita que se reveste de aprendiz do amor a Deus e ao próximo, de praticante da caridade sem restrições e do perdão incondicional. “Fora da caridade não há salvação” (Allan Kardec).
Pelo exposto, segue-se que a mediunidade ostensiva – faculdade que possuem certas pessoas de se comunicarem mais facilmente com os espíritos – é um precioso instrumento para conhecimento de outras fronteiras do universo de Deus!
Assim, nos púlpitos e nos altares, nos centros espíritas ou outros lugares, o ser humano está investido da elevada responsabilidade de dialogar com os espíritos! Por primeiro, o que pensar? Seriam todos os espíritos “demônios”? Somente os maus se comunicariam? E os espíritos de nossos familiares, como disse o padre Concetti? Como é o mundo deles? Como nos dirigirmos a eles? Enfim, há tanto para se considerar!
Começa a convergência
Apesar da antiga e sistemática resistência quanto a admitir-se que a natureza sempre revelou fatos “estranhos” em todos os quadrantes do planeta, certo é que não mais se pode pretender reprimir o óbvio, no caso, a existência, a organização e a dinâmica da vida dos espíritos! Com efeito, percebem-se os primeiros alvores lançados sobre a espessa escuridão formada pelo compacto tecido fiado por milhões de mentes mais apaixonadas do que racionais, habituadas a condenar o que não conhecem, e construindo modelos e discursos para manter o “inimigo” a prudente distância! Isto sem se levar em conta a perspectiva dos temores de que, admitindo-se a existência de um complexo de vida espiritual, as pessoas possam não divisar a absoluta intimidade que pensam ter, e que seus destinos possam estar na mais completa dissonância com aquilo que são e que estão a fazer... Que pensar-se de um criminoso, de um político, de um administrador público, de um médico ou juiz que deliberadamente possam estar “aprontando”, achando que jamais irão ser questionados em vida porque a coisa errada teria sido “bem feita”...
Portanto, razoável ponderar-se que muitos conceitos e dogmas petrificados precisam ser reavaliados, exatamente como fez o Papa João Paulo II ao liberar, ainda que de modo restrito e incipiente, o contato dos sacerdotes-médiuns com os espíritos. Muito ainda está por vir à tona do conhecimento! Mas que parece estar havendo determinada e positiva convergência das religiões, isto parece fora de dúvida! E o que importa para a sofrida humanidade terrena, única e certamente, é a urgente adoção dos preceitos do Mestre do Amor, a prevalência do amor, da caridade, fraternidade, perdão das ofensas, tolerância, da paz, entre tantos e tão sublimes atributos divinos...




